Diálogo Interativo

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17 abril, 2006

Dez anos de impunidade. E os conflitos agrários continuam matando

Pouco antes do anoitecer de 17 de abril de 1996, dezenove trabalhadores rurais sem-terra foram mortos em uma rodovia do sudeste do Pará. A matança, conhecida internacionalmente como
"Massacre de Eldorado dos Carajás", expõe uma enorme ferida ainda aberta no Brasil: a questão da posse e uso da terra.
Discordo de muitos dos métodos de luta do MST e de movimentos correlatos. Porém, acredito que o grande mérito dos movimentos de luta pela terra seja o de mostrar à sociedade que a questão ainda está longe de ser resolvida. A Lei das Terras, de 1850, determina que a compra e a venda são os únicos meios de acesso à terra no Brasil. Sua promulgação deu origem a intermináveis conflitos agrários, que vêm resultando em mortos, feridos e na perpetuação
dos conflitos, que já criaram zonas de tensão, como a própria região de Eldorado dos Carajás, no Pará, a do Pontal do Paranapanema, extremo oeste do Estado de São Paulo, dentre outras. Governo vai, governo vem e o problema continua.
Não adianta ser contra ou a favor do MST, contra ou a favor dos proprietários de terra. A questão está aí, longe da maioria da população, que é eminentemente urbana e, talvez por isso, fora dos debates sobre os grandes temas nacionais.Enquanto lembramos da questão agrária apenas quando há grandes ocupações, saques, fechamento de rodovias, marchas e manifestações do gênero, corpos continuarão a tombar silenciosamente pelos rincões do Brasil.

2 Comments:

  • At 15:30, Anonymous Anônimo said…

    João Flávio,

    Na minha opinião, a questão agrária brasileira não tem, nos dias de hoje, a mesma importância que tinha nos anos 60 do século passado, nos tempos de João Goulart. Naquela época, mais da metade dos brasileiros vivia no campo. Agora, quase 82% da população vivem nas cidades. A questão urbana, que não tem tido o mesmo destaque que o problema do campo, constitui, atualmente, uma política social estratégica. Temos, ao mesmo tempo, centenas de milhares de lotes "equipados" (redes de luz, água e telefonia, transporte público e vias pavimentadas) e milhões de indivíduos vivendo em favelas ou similares.
    Assim, parece-me que movimentos como o MST estão atuando de forma um tanto "ampliada", dando a entender que, por trás de tudo, existem outros interesses em jogo além da questão (importante, é claro)do assentamento de pessoas.

    Ronaldo Guimarães Gouvêa

     
  • At 08:30, Blogger Marco Aurélio said…

    João Flávio

    Obrigado por ajudar a lembrar daquele dia fatídico em Eldorado dos Carajás onde 19 homens foram brutalmente assassinados por 155 policiais.

    Um abraço

    Marco Aurélio

     

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