Diálogo Interativo

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05 maio, 2006

Legislar é preciso

O recente escândalo de corrupção envolvendo compra de ambulâncias é mais uma prova de que é necessário, mais do que nunca, promover uma renovação de verdade no Legislativo brasileiro. A mídia dá importância demasiada à disputa presidencial, enquanto, na surdina, vão-se produzindo verdadeiras aberrações que, mais tarde, ocupam as cadeiras e gabinetes do Congresso Nacional e das Assembléias Legislativas estaduais.
A disputa eleitoral para deputado é um gigantesco balcão de negócios. Acordos espúrios são fechados o tempo todo, mandatos e verbas públicas são direcionadas para grupinhos de interesse, projetos folclóricos são apresentados e defendidos em plenário. As eleições para o Legislativo já produziram caricaturas como Enéas, Severino Cavalcanti, Pinduca, José Geraldo Ribeiro, Almeida Lima... Quem se lembra de Nelson Thibau?? Talvez tenha sido o mais caricato de todos.
As pequenas corrupções do dia-a-dia tornam-se gigantescas quando o praticante assume uma cadeira de vereador, deputado, etc. Quem tem a cultura de furar fila, subornar o guarda de trânsito, sonegar Imposto de Renda, não dar Nota Fiscal, descer do ônibus pela dianteira e outras coisas do gênero vai, inexoravelmente, levar tais práticas para o meio político. A corrupção, portanto, não é exclusividade dos políticos. Nasce no nosso próprio meio, até porque o hoje deputado era cidadão comum ontem, como nós.
Elaborar projetos de lei, principal função dos vereadores, deputados e senadores, é algo nobre, importante demais para ficar na mão de qualquer um. É necessário um mínimo de preparação — e não preparação acadêmica, mas sim preparação de vida, senso de justiça, princípios, saber o que a sociedade precisa. Afinal, as leis propostas e votadas por nossos legisladores formam todo o regulamento da nossa vida em sociedade.
Por isso, defendo que não percamos de vista as eleições deste ano para o Legislativo, sem o qual nenhum governo funciona, não importa quem seja o presidente e o governador.

1 Comments:

  • At 15:21, Anonymous Anônimo said…

    Bom texto. Coitado do Nelson Thibau, sobrou prá ele. E o Juruna, Agnaldo Timóteo, Pascoal Serra-elétrica, Ronivon Santiago, etc.?

    Ronaldo Guimarães Gouvêa

     

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