Diálogo Interativo

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12 maio, 2006

A magia do exercício da maternidade

Imagine ter um outro ser crescendo dentro de você, provocando aumento de peso, alterações hormonais e emocionais, azia pela pressão crescente do estômago, alterações de pele... E, depois de nove meses de espera, esse ser vir ao mundo pelo caminho natural ou por um atalho providenciado pelos médicos, chorar, dormir o dia inteiro (para só acordar à noite, a si mesmo e ao resto da casa), mamar (considero o leite materno uma das maiores manifestações da existência de Deus — como pode uma pessoa produzir absolutamente tudo que outra precisa, por seis meses???), crescer, aborrecer, dar trabalho mas também dar muitas alegrias ao longo da vida. Tudo isso são pequenos fragmentos de tudo que representa a magia de ser mãe.
Deus disse: "Crescei-vos e multiplicai-vos". É claro que há outras formas de exercer a maternidade que não sejam necessariamente junto aos filhos biológicos. Quantas mulheres passaram por este mundo e deixaram suas marcas de mãe mesmo sem ter tido uma única gravidez? Entretanto, justiça seja feita: carregar um bebê no ventre, ter o poder de gerar uma nova vida, de trazer um espírito à Terra é algo imensamente sagrado, indecifrável, não-traduzível em palavras.
Por isso mesmo, não me arrisco a falar muito a respeito. O que está escrito aqui vem da experiência de pai, que é meio paralela se comparada à magia do exercício da maternidade, sobretudo quando o pai não mora com os filhos, como é o meu caso. Magia que se traduz, todos os dias, no milagre da vida, cada vez que uma criança vem para o nosso meio. Magia que se traduz em milagres como o ocorrido ontem à noite na rodovia Fernão Dias, quando uma carreta esmagou um Chevette, matando o casal que ocupava o carro mas não produzindo sequer um arranhão na menina de poucos meses que viajava numa cadeirinha própria no banco traseiro. O pai e a mãe dela, infelizmente, não estão mais entre nós e não a verão crescer, pelo menos não neste mundo. Mas ela se recordará com carinho do homem e da mulher que a geraram, ainda que por fotos. E, um dia, será mãe.

1 Comments:

  • At 16:28, Blogger Carmen said…

    Oi, João Flávio.

    Sobre a menininha que sobreviveu ao acidente: se ela tiver MUITA sorte ela será mãe um dia. A maternidade parece uma coisa banalíssima quando a gente vê as meninas adolescentes da favela ficando grávidas aos montes - e isso não é preconceito da minha parte, é um fato. Mas, por experiência própria - ou por falta dessa experência, melhor dizendo - considero a maternidade um verdadeiro milagre. E só posso desejar sorte à menininha. Muita sorte.

     

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