Diálogo Interativo

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28 setembro, 2006

Mecanismos do linchamento pela mídia

1- A mídia foi pautada diariamente pela oposição: acusações verbalizadas pela oposição de tarde, viravam manchetes factuais no dia seguinte.
2- Acusações que deveriam ser ponto de partida para uma investigação jornalística eram publicadas sem checagem. Bastava usar termos como "suposto", como observou Carlos Heitor Cony.
3- Os acusados não eram procurados para se defender e, quando eram, suas explicações eram tratadas com sarcasmo.
4- Surgiu um novo modo narrativo: basta ser indiciado para ser tratado como criminoso, mesmo que a acusação ainda esteja sujeita a ser rejeitada pela Justiça.
5- Nessa nova forma narrativa, escreveu o jornalista Carlos Brickman, "qualquer medida judicial em favor dos réus é chicana" e " qualquer absolvição é pizza, independentemente de prova". Qualquer declaração do acusador é, em princípio, aceita como verdade...
6- Nessa nova narrativa, predominou a malícia. Em vez de elucidar os fatos, contextualizando-os e hierarquizando-os, optou-se pela desinformação e a suspeição.
7- Todo o fogo era dirigido apenas contra o PT. A grande imprensa ignorou, por exemplo, as denúncias contra o banqueiro Daniel Dantas, do banco Opportunity, à lista dos doadores de Furnas. Ignorou ou relegou a segundo plano que o "valerioduto" foi criado pelo PSDB para a campanha de 1998 de Eduardo Azeredo, em Minas Gerais.
8- Palavras pesadas foram usadas com freqüência, sem pudor: "Palocci, estuprador de contas bancárias" (Augusto Nunes, no JB); "Lula, chefe da quadrilha" (Correio Braziliense); "Ali Dirceu e os 40 ladrões" (idem).
9- Foi desencadeada uma perseguição incessante aos familiares de Lula e aos chamados "amigos de Lula", com arbitrária violação da vida pessoal.
10- Legitimou-se a linguagem preconceituosa contra Lula, inclusive por colunistas importantes; alguns jornalistas especializaram-se em descobrir em todas as falas de Lula uma "gafe".
11 - Os meios de comunicação concentraram toda a cobertura na crise, desprezando acontecimentos importantes. IstoÉ deu 14 capas seguidas de crise; Veja deu mais de 20.
12- Depoimentos nas CPI´s eram ignorados quando derrubavam acusações contra o Governo.
13- Criou-se uma modalidade virulenta de jornalismo. Veja deu capas associando o PT a animais (rato, burro), imagens posteriormente recicladas por articulistas na própria Veja e em outros veículos. Os nazistas fizeram isso com os judeus com o objetivo de derrubar toda e qualquer barreira psicológica ao seu extermínio.
14- Houve a "tragédia da condenação sem julgamento", como disse em sua defesa o deputado do PFL Roberto Brant. Nenhum julgamento foi ainda feito na Justiça, mas na mídia e no imaginário social já estão todos condenados e suas imagens e reputações destruídas. Deu-se um linchamento midiático.
Da Revista do Brasil, publicada por um conjunto de Sindicatos de Bancários, Metalúrgicos, Químicos, dentre outros.

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